O estalo no quadril é uma queixa frequente no consultório. Muitos pacientes chegam preocupados com o barulho que o quadril faz ao caminhar, levantar ou fazer determinados movimentos. A boa notícia é que, na maioria dos casos, o estalo é benigno. Mas há situações em que ele merece investigação.

Por que o quadril estala

O estalo no quadril — chamado clinicamente de coxa saltans ou quadril em ressalto — pode ter origem externa, interna ou intra-articular. Cada uma dessas origens tem mecanismo e significado clínico diferentes.

Estalo externo: o trato iliotibial

É o tipo mais comum. Ocorre quando o trato iliotibial — uma faixa espessa de tecido conjuntivo na face lateral da coxa — desliza sobre o trocânter maior do fêmur durante o movimento do quadril. O barulho costuma ser audível e palpável. Em geral não causa dor, mas pode se tornar doloroso quando há inflamação associada.

Estalo interno: o tendão do psoas

O músculo psoas, principal flexor do quadril, tem seu tendão passando pela parte anterior do quadril. Em determinados movimentos — especialmente ao flexionar e estender o quadril — esse tendão pode deslizar sobre uma proeminência óssea, produzindo um estalo interno. É frequente em bailarinos, atletas e pessoas que praticam exercícios de flexão de quadril.

Estalo sem dor, na maioria das vezes, não representa problema estrutural. Estalo acompanhado de dor, especialmente na virilha ou na face anterior do quadril, merece avaliação ortopédica.

Estalo intra-articular: lesão labral ou corpo livre

Quando o estalo origina-se dentro da própria articulação, ele costuma ser associado a dor. As causas mais comuns são lesão do lábio acetabular — a estrutura cartilaginosa que reveste a borda do acetábulo — e presença de fragmentos cartilaginosos ou ósseos dentro da articulação (corpos livres). Esse tipo de estalo é mais preocupante e exige investigação com ressonância magnética.

Como diferenciar os tipos

O exame clínico permite, na maioria dos casos, identificar a origem do estalo por meio de testes específicos de movimento. A ultrassonografia dinâmica é o exame mais útil para visualizar o deslizamento de tendões em tempo real. A ressonância magnética é solicitada quando há suspeita de lesão intra-articular.

Tratamento

Estalos sem dor geralmente não requerem tratamento, apenas acompanhamento. Quando há dor associada, o tratamento depende da causa: fisioterapia com alongamento e fortalecimento muscular para os casos externos e internos, e artroscopia de quadril para os casos intra-articulares com lesão confirmada.

Conclusão

Nem todo estalo no quadril é um problema. Mas estalo com dor, ou que piora com o tempo, merece avaliação. A identificação precisa da origem orienta um tratamento eficaz e evita progressão desnecessária.